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7 fatores que desequilibram o fluxo de caixa

 

Em vez de ler que tal ouvir este artigo?

O fluxo de caixa é um tema que está sempre em perspectiva, mas ele assume uma importância ainda maior em uma economia estagnada. Afinal, é preciso manter o equilíbrio financeiro do negócio e, ao mesmo tempo, lidar com a alta competitividade e poucas chances de expansão de mercado.

Como efetivamente preenchem a lacuna entre os fabricantes e os clientes finais, os distribuidores atacadistas frequentemente se encontram em um ponto difícil no espectro do fluxo de caixa. Eles precisam lidar com períodos de baixa no consumo e defender sua sustentabilidade no nível da controladoria.

Pensando nisso, trazemos, neste artigo, uma reflexão aprofundada sobre o tema. Continue lendo para relembrar o conceito de fluxo de caixa, entender por que a boa gestão dele é importante e quais são os fatores que podem desequilibrá-lo! 

O que é fluxo de caixa?

O fluxo de caixa refere-se ao valor líquido de caixa e equivalentes de caixa sendo transferidos para dentro e para fora de uma empresa — o dinheiro recebido representa as entradas, enquanto o dinheiro gasto representa as saídas, como descreve a Investopedia

Em outras palavras, trata-se de uma medida da quantidade de dinheiro que entra e sai do negócio em um determinado período de tempo.  

Quando há um fluxo de caixa positivo significa que mais dinheiro está entrando na empresa do que saindo. Quando o fluxo de caixa está negativo, o contrário certamente está acontecendo.  

Em suma, o tema está intimamente ligado com a famosa questão de ter “dinheiro suficiente para cumprir as obrigações financeiras”, conhecida também como capital de giro. Logo, é importante atentar-se para o termo “fluxo”, pois ele dá a ideia de que o que se administra é o “ir e vir” dos recursos financeiros.  

Fluxo de caixa versus receita e lucro

É muito importante não confundir fluxo de caixa com receita ou lucro. 

A receita é o dinheiro que está entrando no negócio. Já o lucro é usado especificamente para medir o sucesso financeiro do negócio ou quanto ele ganha em geral — o dinheiro que resta depois do pagamento de todas as suas obrigações. 

O fluxo de caixa, por sua vez, mede quanto entra e quanto sai. Neste sentido, ele é também uma demonstração financeira que relata as fontes e o uso do caixa ao longo de um período. 

→ Leia também:

Qual a importância de ter uma gestão de fluxo de caixa eficiente?

O fluxo de caixa positivo indica que os ativos líquidos da empresa estão aumentando, permitindo liquidar dívidas, reinvestir, devolver dinheiro aos acionistas, pagar despesas e fornecer uma proteção contra futuros desafios financeiros. 

É por isso que a gestão de fluxo de caixa é tão importante. Ela, basicamente, diz respeito a rastrear o dinheiro que entra e monitorá-lo em relação a despesas como contas, salários e custos de propriedade. Quando bem realizada, oferece uma visão completa do custo versus receita e garante a posse de fundos suficientes para pagar as contas e, ao mesmo tempo, obter lucro. 

Na prática, ao entender seu fluxo de caixa, o gestor poderá prever os lucros da empresa com mais precisão e identificar oportunidades de investimento. E mais: evitar problemas de fluxo de caixa é absolutamente fundamental para o sucesso e, de fato, a sobrevivência do negócio. 

→ Leia também: Distribuição logística: como estruturar o fluxo de caixa? 

Como saber quando é hora de melhorar o fluxo de caixa da empresa?

Há uma série de sinais comuns de que sua empresa poderá enfrentar dificuldades financeiras em breve. No entanto, eles só ficarão claros depois que você definir metas claras de fluxo de caixa e acompanhá-las rigorosamente. 

Dito isso, quais são os sinais de alerta a serem observados? Os mais evidentes são os seguintes:  

  • A empresa está atrasando seus pagamentos. Ao perceber que as faturas não pagas estão começando a se acumular, é possível que haja um problema no processo da área de contas a pagar. Agora, se mesmo com lembretes automáticos configurados, é impossível pagar os credores porque o dinheiro simplesmente não está disponível, aí está um problema sério de fluxo de caixa.  
  • O contas a receber tem uma queda repentina. Enquanto muitos empresários ficam de olho no fluxo de caixa, um choque financeiro repentino — como uma conta-chave sendo perdida para um concorrente — pode colocá-lo rapidamente no vermelho. Quando isso acontece, é muito difícil aumentar a receita com rapidez suficiente para cobrir os custos. Portanto, é vital tomar o maior número possível de medidas preventivas, para que o negócio esteja preparado para qualquer eventualidade.  
  • A empresa está perdendo descontos ao fazer pagamentos. Muitos fornecedores oferecem descontos por pagamento antecipado, ajudando a garantir a saúde do seu próprio fluxo de caixa e dando aos clientes uma vantagem. Se a empresa está pagando a maioria das contas a pagar integralmente e perdendo esses descontos, pode estar se colocando em desvantagem — e caminhando a passos largos para um problema de fluxo de caixa. 
  • Os gestores estão constantemente fazendo malabarismos com fundos para cobrir os custos. Com um fluxo de caixa positivo, gerenciar os custos é simples. Os profissionais encarregados disso saberão exatamente o que está chegando e quando, para que possam configurar condições de pagamento em suas despesas que não serão perdidas. Agora, é hora de melhorar a gestão de fluxo de caixa se for uma luta mensal para manter as obrigações financeiras em dia. 

7 fatores que desequilibram o fluxo de caixa

Vejamos agora quais são os fatores mais comuns que afetam o fluxo de caixa negativamente. Confira a seguir! 

1. Gastos elevados e processos pouco eficientes

Os gastos acima das entradas representam a maior ameaça ao fluxo de caixa. Especialmente quando se trata de custos com a operação administrativa, uma vez que o dinheiro gasto com isso não representa necessariamente um investimento.  

Isso está muito ligado a processos pouco eficientes, quando a sequência de atividades realizadas com backoffice, por exemplo, está desestruturada e, portanto, mais onerosa.  

→ Leia também: Por que abandonar os processos manuais? 

2. Promoção sem planejamento

Tudo o que envolve ações promocionais precisa ser muito bem planejado. Do contrário, fica muito fácil incorrer em descontos que prejudicam o fluxo de caixa. 

Daí que é importante que o distribuidor conte com uma boa equipe de Trade Marketing, encarregada de lidar com a questão das promoções. E esse time deve estar perfeitamente alinhado com o comercial e a área financeira.  

3. Diferenças entre o prazo de recebimento e o de pagamento

No mundo ideal, a empresa faz suas compras com os recursos que entram a partir das vendas. E faz um controle correto dos pagamentos dos credores. 

No entanto, quando há uma diferença acentuada entre o prazo de recebimento e o dos pagamentos, o fluxo de caixa sofre um abalo acentuado. Portanto, é preciso ter esses controles bem acompanhados, evitando que o pêndulo pese mais para o contas a pagar do que para o contas a receber.  

4. Não atualizar o fluxo de caixa

Não estabelecer um processo de atualização do fluxo de caixa, ou não ter meios tecnológicos para isso também é perigoso.  

Isso porque a falta de registros das entradas e saídas acaba dificultando a análise estratégica das finanças, podendo mascarar resultados. 

5. Redução das vendas

O fluxo de caixa precisa ser preparado para períodos de queda nas vendas, uma vez que repentinamente a entrada de recursos diminui. Do contrário, haverá um desequilíbrio grande entre as entradas e saídas, afetando a saúde financeira do negócio.

→ Leia também: 7 passos para fazer projeção de vendas no atacado distribuidor

6. Inadimplência

Ter clientes com pagamentos em atraso, impacta diretamente no fluxo de caixa da empresa e pode inclusive inviabilizar a continuidade da operação. Afinal, vender muito pouco ajuda se os compradores não cumprirem com os prazos de quitação das dívidas com a empresa.  

→ Para uma reflexão maior sobre este tema, te convidamos a assistir a gravação do episódio 53 MáximaCast. Nele, nossos especialistas debatem o tema e dão algumas dicas para reduzir a inadimplência:

 

→ Veja também: 6 ações para reduzir a inadimplência no atacado distribuidor.  

7. Falta de controle de estoque

Por fim, a falta de uma boa estratégia de controle de estoque também é um dos fatores que afetam o fluxo de caixa negativamente.  

Isso por vários motivos: do aumento das demandas com pouca mercadoria estocada até a queda repentina das vendas quando há muitos produtos estocados.  

→ Leia também: O que é giro de estoque e qual sua importância? 

Conclusão

As empresas prestam muita atenção ao seu fluxo de caixa e procuram gerenciá-lo da forma mais cuidadosa possível. Por isso, os profissionais que trabalham nas funções de finanças, contabilidade e planejamento e análise financeira passam um tempo significativo avaliando-o e identificando possíveis problemas. 

No mercado atacadista distribuidor isso não é diferente: é preciso ter uma excelente gestão de fluxo de caixa, sob o risco de que fatores internos e externos o desequilibrem e coloquem a sustentabilidade do negócio em xeque. 

Como vimos, são muitos os fatores que afetam o fluxo de caixa a ponto de desestruturá-lo, fazendo com que a empresa vá por um caminho delicado de dificuldades financeiras. Do descontrole dos gastos à falta de controle rígido dos estoques, passando por políticas inadequadas de desconto, redução das vendas e inadimplência.

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