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Compreender como calcular o consumo de combustível de uma frota é imprescindível, sobretudo nesse período no qual estamos vivenciando sucessivas altas nos preços desse insumo. Mais do que isso, é importante entender como implementar uma gestão assertiva dos veículos de sua empresa na tentativa de obter uma economia neste setor.

Pensando nesse cenário, preparamos este conteúdo repleto de informações que vão ajudá-lo a realizar o cálculo do consumo de combustíveis da frota e a implementar boas práticas logísticas. Continue a leitura e saiba mais.

A importância de monitorar o consumo de combustível da frota

Estudos na área de logística apontam que veículos de frotas comerciais não monitorados têm um potencial para redução de até 30% no consumo de combustível.

Isso porque um sistema completo de gestão é capaz de identificar e calcular o consumo de combustível desejável para cada modelo de veículo, ajudando a eliminar eventuais desperdícios e a implementar boas práticas logísticas.

Para ter uma ideia do quão importante é esse aspecto, um estudo realizado pela Universidade de São Paulo – USP na área de logística de transporte no agronegócio estimou o custo dos combustíveis nessa cadeia produtiva. No transporte de grãos, por exemplo, o gasto com diesel representa cerca de 40% de uma operação de 100km de deslocamento.

Definitivamente, calcular o consumo de combustível é um processo que deve ser monitorado. Nos tópicos seguintes, explicamos como tudo pode ser feito.

Saiba como calcular o consumo de combustível de uma frota

Calcular o consumo de combustível é relativamente simples. Tudo pode ser feito da seguinte forma:

  1. Anote a quilometragem indicada no odômetro do veículo antes de abastecê-lo;
  2. Para facilitar o cálculo, comece a rodar com o tanque cheio;
  3. Percorra, pelo menos, 200km antes de proceder com o cálculo;
  4. Estabeleça a relação km/l da seguinte forma:

(A) quilometragem percorrida

(B) combustível consumido

A ÷ B = consumo/litro

Para que tudo fique mais fácil, vejamos o exemplo prático de um veículo, como um Fiat Mobi. Suponhamos que você tenha percorrido cerca de 450 km com um tanque cheio, o que corresponde a 47 litros de gasolina.

Nesse caso, teremos um consumo de 9,5 km/litro, marca significativamente inferior a anunciada pelo fabricante, que é de cerca de 13 km/litro para trajetos realizados na cidade. Isto é, o consumo de combustível é 25% superior ao desejado.

Este exemplo sobre como calcular o consumo de combustível é bastante significativo em relação ao que acontece em muitas empresas. Os gestores de frota estimam um determinado custo mensal com base na ficha técnica dos veículos, mas, na prática, o consumo supera as previsões.

O que faz um veículo consumir mais combustível?

Agora que você já sabe como calcular o consumo de combustível de uma frota, vejamos quais são os principais fatores que fazem um veículo consumir mais.

Combustível adulterado

Você já ouviu falar naquela famosa máxima do “barato que sai caro”? Essa expressão define perfeitamente a situação de empresas que optam sempre pelo combustível mais barato, independentemente da procedência do produto.

Quanto a isso, devemos chamar a atenção para os problemas de tomar decisões dessa forma. Além de afetar o desempenho e o consumo do veículo, a gasolina, o álcool ou o diesel adulterados podem danificar componentes do motor, diminuindo o tempo de vida das peças.

Vale, também, observar a relação custo-benefício na hora de fazer a opção pelo tipo de combustível. Anos atrás, foi estabelecido que, se o valor do etanol fosse até 70% do preço da gasolina, abastecer com o combustível vegetal seria vantajoso. Mas, pela evolução técnica dos motores e do próprio etanol, hoje, essa proporção está diferente e pode chegar a até 75%.

Por isso, fique atento a esse aspecto na hora calcular o costumo de combustível e gerir a frota em sua empresa.

Falta de manutenção

A falta de manutenção da frota é outro aspecto crítico quando o assunto calcular o consumo de combustível. Afinal, veículos rodando sem a devida revisão não estão nas condições ideais de desempenho, o que pode afetar o consumo de combustível.

O filtro de ar, por exemplo, filtra o ar que chega até o motor. Quando esse componente está desgastado, ele não cumpre sua função, sobrecarregando o motor e levando a um maior consumo de combustível.

O mesmo vale para o filtro de gasolina. Esse componente filtra as impurezas retidas pelo combustível. Quando ele está entupido, a mistura ar + gasolina/etanol é “contaminada”, comprometendo o processo de combustão.

Excesso de carga

Frotas que operam transportando grandes volumes de mercadoria e de carga devem manter cuidado redobrado com a manutenção. Esse tipo de veículo utilitário é próprio para exercer esse trabalho, mas o degaste do conjunto de suspensão e demais componentes do veículo é inevitável.

Além disso, o peso máximo para o transporte de carga sempre deve ser respeitado. Caso contrário, ao calcular o consumo de combustível, esse gasto será maior.

Modo de condução

O modo de condução é outro aspecto que não pode ser desprezado e que interfere ao calcular o consumo de combustível. Quem está à frente do volante deve se preocupar em sempre realizar a troca de marchas no momento correto, evitando arrancadas ou freadas bruscas.

Dirigindo com cautela, o esperado é que o consumo de combustível se mantenha dentro do planejado. Por isso, tenha a preocupação de treinar os motoristas da empresa para que eles adotem boas práticas na condução dos veículos.

Pneus mal calibrados

Entre os principais componentes que devem ser revisados para diminuir o consumo de combustível está o conjunto de pneus e rodas. Esses componentes devem estar calibrados segundo recomendação de pressão do fabricante, informação que pode ser encontrada no manual do proprietário.

Além disso, as rodas e pneus devem ser alinhados, pelo menos, a cada 10 mil quilômetros ou em um intervalo ainda menor, caso o veículo passe constantemente por ruas e estradas acidentadas.

Ao fazer uma gestão de frota levando em conta esse aspecto, o consumo de combustível pode ser reduzido em até 20%. Isso, é claro, sem mencionarmos o conforto e a segurança proporcionado pelo alinhamento e balanceamento do conjunto de pneus.

Entenda a dinâmica dos preços dos combustíveis

Em meio a sucessivas altas nos preços dos combustíveis, muitas pessoas passaram a se perguntar qual a motivação desses aumentos e qual a dinâmica da precificação desse insumo.

Basicamente, ao calcular o consumo de combustível, você precisa saber que o preço final na bomba é composto por quatro elementos:

1) Preços do produtor ou importador de gasolina “A”;

2) Carga tributária;

3) Custo do etanol obrigatório;

4) Margens da distribuição e revenda.

A gasolina vendida nos postos é uma mistura entre gasolina e etanol anidro. A proporção dos dois componentes é 73% e 27%, respectivamente.

A maior fatia do preço da gasolina é formada por impostos. Somados, o ICMS, o PIS/Pasep e Cofins representam 44% do valor final, sendo 29% para o primeiro e 15% para os demais. O custeio da operação da Petrobras corresponde a 29% do preço final.

Segundo informa a Petrobras:

Os combustíveis derivados de petróleo são commodities e têm seus preços atrelados aos mercados internacionais, cujas cotações variam diariamente, para cima e para baixo. Essa lógica se aplica a outros tipos de commodities nas economias abertas, onde é possível importar e exportar como, por exemplo, trigo, café, metais, etc.

Num ambiente de economia aberta e liberdade de preços enfrentamos a concorrência dos importadores de combustíveis, cujos preços acompanham o mercado internacional. Assim, a variação dos preços nas refinarias é importante para que possamos competir de forma eficiente no mercado brasileiro.

Os tributos respondem por grande parte do preço final dos combustíveis. No caso da gasolina, por exemplo, a Petrobras só é responsável por cerca de um terço do valor pago pelo consumidor. Hoje, tributos respondem por fatia maior que a da Petrobras na gasolina (dados de setembro de 2021).

Em alguns casos, como no ICMS, há incidência “no preço cheio”. Por previsão constitucional legislativa, o ICMS integra a sua própria base de cálculo e incide sobre o preço final do produto. É diferente do que ocorre com a CIDE e com o PIS e a Cofins, cobrados em valores fixos por volume ou quantidade vendida, incidindo sobre o preço comercializado pela Petrobras, independentemente do preço final. Dessa forma, sempre que ocorre reajuste de preços na refinaria, há incremento do valor do ICMS não só sobre essa parcela, mas sobre todo o preço final de venda ao consumidor, ampliando seu efeito final

Conclusão

Saber como calcular o consumo de combustível é indispensável para qualquer empresa. Para isso, vale ficar atento ao método que demonstramos para começar a monitorar a sua frota.

Além disso, é imprescindível criar mecanismos de controle operacional, seja por meio análise das informações de cada veículo ou por meio de sistemas de gestão. Sem esse acompanhamento não será possível obter um diagnóstico sobre o consumo de combustíveis.

Também não podemos nos esquecer das medidas capazes de otimizar o consumo. Conforme indicado, a manutenção periódica e a boas práticas ao volante podem ajudar nesse sentido.

 

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