coronavírus logística

Em vez de ler, que tal ouvir o artigo?

Os impactos do coronavírus no mercado já estão sendo sentidos. No início de Abril, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) constatou que mais de 30% das empresas de todos os setores sentiram os efeitos ainda em março, mês que marcou o início da quarentena.

As consequências da pandemia são sentidas de diferentes formas por setores diferentes. Enquanto a indústria, ainda segundo a FGV, é a mais afetada (43% das empresas reportaram problemas), o setor de serviços, incluindo o mercado distribuidor, não sofreu tanto (30,2%).

No entanto, isso não significa que a logística pode relaxar. A previsão é que o número de empresas afetadas no setor de serviços suba para 49,7% já nos próximos dias. Para evitar problemas, é preciso se planejar e entender o que está por vir.

Continue lendo e descubra como minimizar os impactos do coronavírus na logística!

Coronavírus na logística: quais os impactos?

O foco global na COVID-19 mudou as prioridades para todas as empresas e indivíduos globalmente.

Embora o impacto e a reação ao coronavírus na logística e no atacado distribuidor pareçam estar se espalhando por todo o mundo, as organizações podem prever os problemas em seus negócios usando um conjunto combinado de ferramentas.

A natureza global da economia exige que todas as organizações distribuidoras entendam suas cadeias de suprimentos diretas e, também, os riscos inerentes aos quais elas podem estar expostas nos níveis de fornecedores e clientes secundários ou terciários.

Por exemplo, as empresas que dependem da demanda externa de seus produtos também contam com fabricantes estrangeiros, que fornecem os bens e serviços necessários para realizar negócios. Estar ciente desses riscos ajudará na formulação de estratégias corporativas e planejamento de negócios.

Quando o vírus começou a se espalhar na China, a produção de aço permaneceu alta na região. No entanto, como a economia global e a demanda diminuíram recentemente, os estoques de aço do país atingiram níveis recordes.

A falta de demanda resultou em uma queda significativa nas exportações de aço da China. Este é apenas um pequeno pedaço do quebra-cabeça da cadeia de suprimentos e dos conjuntos de dados que podem ser analisados.

No centro de qualquer logística estão os custos do transporte das mercadorias. O petróleo está sempre nas manchetes, mas uma análise mais aprofundada desse item pode fornecer insights sobre como os preços da gasolina serão afetados.

Como o coronavírus continua impactando não apenas o aço, mas todas as commodities, produção de peças e logística de entrega, as empresas precisam girar e fazer ajustes em suas próprias estratégias de negócios.

Estar ciente dos riscos para sua logística será fundamental para todas as empresas do atacado distribuidor.

Qualquer interrupção no fornecimento ou na demanda exigirá uma mudança na estratégia, volume ou procedimentos da empresa. Ser capaz de identificar riscos potenciais pode ajudar a se preparar para mudanças repentinas.

A análise de dados é usada não apenas para entender exposições a riscos diretos, mas também aqueles possivelmente encontrados nos fornecedores e clientes.

As indústrias e a economia em geral estão em um novo território, encontrando-se mais vulneráveis ​​aos riscos da globalização e à ruptura da cadeia de suprimentos.

Portanto, o uso correto de conjuntos de dados e ferramentas tecnológicas será crucial para o atacado distribuidor continuar tomando decisões estratégicas.

Coronavírus: como dar conta do aumento de demanda logística? Clique aqui e Baixe o e-book gratuito.
 ebook-coronavirus-1-1.

 

A importância do planejamento logístico durante o coronavírus

Como falamos no início, o impacto do coronavírus é diferente para os diversos setores. Isso significa que os obstáculos logísticos serão distintos dependendo do setor de atuação do atacado distribuidor.

Enquanto o agronegócio e o setor de alimentos possivelmente verão um crescimento nos próximos meses, os setores ligados a bens considerados não essenciais sofrerão mais os efeitos causados pela pandemia.

Independentemente de qual lado você está, o planejamento e a gestão eficaz nesse momento são essenciais para garantir que (1) você consiga suprir o aumento da demanda ou (2) não seja tão afetado em um momento tão crítico.

No cenário atual, vemos que uma resposta completa de curto prazo significa tomar uma ação rápida em toda a cadeia logística de ponta a ponta.

Essas ações devem ser tomadas em paralelo com as etapas para apoiar e proteger a força de trabalho, como falaremos a seguir. São elas:

  • Criar transparência na logística, estabelecendo uma lista de componentes críticos, determinando a origem do suprimento e identificando fontes alternativas;
  • Estimar o estoque disponível ao longo da cadeia, para manter o serviço em andamento e permitir a entrega aos clientes;
  • Avaliar a demanda realista do cliente final e responder (ou, sempre que possível, conter) o comportamento de compra dos clientes;
  • Otimizar a capacidade de distribuição para garantir a segurança dos funcionários, como fornecendo equipamentos de proteção individual (EPI) e interagindo com as equipes de comunicação para compartilhar níveis de risco de infecção e opções de home office;
  • Identificar e proteger a capacidade logística, sendo flexível no modo de transporte, quando necessário;
  • Gerenciar dados e indicadores para entender onde os problemas da cadeia de suprimentos começarão a causar maior impacto financeiro.

Mas como conquistar isso? O primeiro passo é cuidar do abastecimento. Veja no vídeo abaixo uma discussão sobre as melhores práticas de abastecimento em tempos de coronavírus:

Home office: como pode ajudar a logística?

O bem-estar dos funcionários é primordial e, obviamente, as pessoas são um recurso crítico. As empresas que se recuperaram mais rapidamente após o furacão Katrina em 2005 foram aquelas que localizaram todos os funcionários que se dispersaram pelo sudeste dos Estados Unidos.

Durante a pandemia do coronavírus, não seria diferente — proteger sua equipe é fundamental.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o isolamento social é a melhor forma de combate ao avanço da COVID-19. Diante disso, muitas empresas tiveram que se adaptar a uma nova estrutura de home office.

É claro que, quando falamos de logística, é impossível enviar toda a equipe para casa por conta do coronavírus. A cadeia de suprimentos possui atividades operacionais inerentemente ligadas à movimentação de mercadorias.

Nesse caso, é essencial oferecer EPIs, como máscaras, e álcool em gel nos ambientes para garantir a proteção da equipe. Também, realize treinamentos com instruções sobre como se prevenir contra o coronavírus e as melhores práticas ao realizar entregas, especialmente para motoristas.

Ao sinal de qualquer sintoma, é essencial enviar seu funcionário para casa para evitar contaminação das demais pessoas na equipe.

Outros tipos de atividade, no entanto, podem ser realizados em regime de home office para diminuir a circulação de pessoas na empresa.

Caso tenha resistência com esse modelo, poderá mudar de ideia ao descobrir que o home office pode de fato ser benéfico tanto para empresa quanto para funcionário.

Do lado da organização, é possível reduzir custos com a manutenção de um escritório ativo. Além disso, estudos provaram que um funcionário em home office pode ser mais produtivo do que quando está na empresa.

Contudo, para que isso aconteça, é preciso que a organização tenha as ferramentas certas. Softwares em nuvem que fornecem colaboração em tempo real são essenciais.

Além da colaboração, eles permitem que sua equipe acesse os dados de onde estiverem, quando quiserem e de qualquer dispositivo. Também é preciso realizar check-ups regulares e reuniões de vídeo para acompanhar o andamento do trabalho.

Além disso, as soluções tecnológicas fáceis de usar e econômicas tornam os funcionários capacitados a trabalhar remotamente em um processo relativamente rápido e fácil para todos os envolvidos.

Ganhando visibilidade para minimizar os impactos

A continuidade dos negócios é fundamental durante uma crise, e a tecnologia necessária para isso deve incluir ferramentas de colaboração para facilitar as informações em tempo real sobre o pedido de bens, entrega dos produtos e armazenamento.

A entrega Just-in-Time perdeu espaço na crise do coronavírus por não ser capaz de lidar com a  forte demanda de produtos vitais e por depender demais de fontes únicas nas cadeias de suprimentos.

Esse modelo lean pode ser modificado depois que tudo acabar, mas provavelmente não voltará ao tempo em que grandes estoques eram armazenados.

Antes de continuar, ouça o MáximaCast#29 e saiba como realizar a gestão de estoques logísticos durante a pandemia do coronavírus:

 

Mas a melhoria em quatro áreas de tecnologias pode ajudar:

  • Visibilidade do pedido: poder enxergar os pedidos em tempo real aumenta a colaboração e permite dar as respostas a problemas como pendências e devoluções mais rapidamente. As informações podem orientar o planejamento dinâmico dos departamentos de recebimento, distribuição e estoque;
  • Visibilidade de transporte: é importante saber onde estão seus produtos e quais riscos eles enfrentam. Muitos sistemas podem fornecer notificações eletrônicas a partir de aplicativos baseados em GPS nos smartphones de seus motoristas ou em seus caminhões para o acompanhamento de entregas. A colaboração em tempo real aqui pode economizar tempo de viagem e custos;
  • Visibilidade do estoque: quando as informações de estoque e transporte são compartilhadas, a colaboração ajuda a melhorar suas operações de recebimento e estratégias de distribuição;
  • Visibilidade da rota: a roteirização logística eficiente sempre foi importante para garantir o menor consumo de combustível e tempo de entrega. Agora, é ainda mais essencial para reduzir a exposição do motorista aos riscos inerentes do contato com outras pessoas;
  • Visibilidade da previsão: isso é vital para ajudar a antecipar os riscos e oportunidades que virão. As empresas que têm essa visibilidade são capazes de responder rapidamente às necessidades dos clientes, principalmente em tempos de crise. Isso resulta em benefícios como aumento de giro de estoque, custo reduzido e, o mais importante, ter os produtos certos no momento certo para os clientes.

Como melhorar a visibilidade geral da logística

A colaboração na cadeia de suprimentos pode levar a enxergar com antecedência os problemas, fazer propostas de soluções mais rápidas e a uma abordagem mais unificada em geral. Ela é essencial para reduzir custos e levar produtos ao mercado mais rapidamente.

No entanto, se você não tiver uma solução de tecnologia que ofereça uma visão única da sua logística e permita que você colabore com fornecedores, pode acabar com processos complexos que reduzem a visibilidade e limitam o controle.

A maioria das empresas luta com visibilidade dos processos, o que não é bom para os resultados de negócios.

Sem uma gestão centralizada, os problemas são identificados na medida que surgem, e não de uma maneira coordenada, em que você não precise tapar buracos para resolver obstáculos durante uma crise de tempo e recursos.

Então, como a visibilidade da logística pode ser melhor? Considere estas cinco áreas:

  • Defina / refine sua visibilidade: tenha uma visão comum dos pedidos de compra, facilite a colaboração na equipe e use uma tecnologia que ofereça a todas as partes envolvidas informações sobre status dos pedidos, roteiros de entrega e condições do cliente;
  • Gerencie dados: o gerenciamento de dados é fundamental aqui. Garanta que as informações que entram no sistema sejam precisas e que a tecnologia é fácil de usar, para incentivar o uso por parte da sua equipe;
  • Utilize painéis de visualização: os painéis podem direcionar as informações para outros departamentos, para os que saibam onde estão os pedidos e quais as ações que podem ser executadas;
  • Utilize indicadores logísticos: como falamos lá em cima, os indicadores logísticos podem te ajudar a prever possíveis obstáculos que surgirão no caminho durante a crise. Defina os KPIs mais importantes e acompanhe-os regularmente;
  • Melhore a troca e a precisão dos dados: nesta crise de coronavírus, muitos pedidos de alteração e cancelamentos estão chegando. Se os distribuidores e varejistas não tiverem uma maneira real de inserir um sistema comum, o atraso na notificação significa que as equipes de planejamento e produção operam com dados antigos — o que aumenta a chance de erros e atrasos.
    Os erros de dados também podem resultar em departamentos financeiros sem saber quando gravar uma receita. Se os pedidos não tiverem visibilidade dos prazos ou dados de entrega, os clientes poderão comprar em excesso um “estoque de segurança” e comprometer seu planejamento.

Conclusão

Nenhuma empresa estava esperando uma crise dessa magnitude, mas o surto de coronavírus atingiu todos os negócios de uma vez.

Isso significa que uma empresa que pode lidar com seus problemas melhor do que seus concorrentes sobreviverá e, talvez, até se torne mais forte. Aquelas com a melhor visibilidade logística provavelmente terão a melhor visão para o futuro e se recuperarão mais rapidamente assim que a fase de recuperação começar.

Independentemente da maturidade digital da sua logística, o atacado distribuidor deve considerar quais tecnologias o ajudará a enfrentar essa crise.

Para saber mais e continuar aprendendo como se defender da crise do coronavírus na logística, veja os erros que a tecnologia ajuda a evitar na sua distribuição!