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Tendências e desafios para o segmento atacadista em 2022

Em vez de ler, que tal ouvir?

Mais um ano chega ao fim e com isso a pergunta: o que esperar do segmento atacadista 2022?

Este ano, a resposta para essa questão contempla mudanças bastante aguardadas, uma vez que o susto maior com a pandemia aparentemente passou. Contudo, há incertezas bem visíveis no horizonte, sobretudo no que diz respeito à economia brasileira.

Para 2022, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima um crescimento inferior à média global e também a vários países da América Latina — apenas 1.4% contra 2,5% da Argentina, 2% do Chile , 3,3% do México, 3,9% da Costa Rica e 5,5% da Colômbia.

Dando um zoom nas previsões para o segmento atacadista, estima-se que mudanças no comportamento dos consumidores continuarão dando a tônica. Apesar disso, esse é um dos braços do mercado com fortes chances de obter certo fôlego, conforme vamos refletir ao longo deste texto.

Para isso, vamos nos debruçar sobre o relatório ABAD/Nielsen 2021, que foi analisado pelo time de inteligência da MáximaTech. Continue lendo para entender!

Segmento atacadista 2021: uma análise do mercado

A rotina de compras do consumidor mudou completamente em 2020 e 2021. Por exemplo, as medidas de isolamento social, necessárias para conter o avanço do coronavírus, fizeram com que ele trocasse os grandes hiper e supermercados, geralmente longe de casa, pelos mercados de bairro, mais próximos e menos movimentados.

Além disso, as incertezas quanto à própria segurança financeira do consumidor e à situação econômica do país fizeram com que ele passasse a gastar com aquilo que é estritamente necessário. Produtos de higiene, por exemplo, tiveram um boom nos últimos meses, com as preocupações com a higienização aumentando.

Tanto é que a Black Friday de 2021 teve faturamento abaixo do esperado, conforme noticiou o InfoMoney com dados da Neotrust: apenas R$ 5,4 bilhões foram gerados — crescimento tímido em relação ao ano anterior (5.4%).

Logo, as estimativas de que os desafios de 2020 permaneceriam em 2021, mesmo com o relaxamento das medidas de isolamento, se concretizaram parcialmente. Contudo, é preciso pontuar que o pessimismo foi, providencialmente, neutralizado em alguns pontos do setor atacadista.

No alto da pandemia, as expectativas de crescimento para o segmento atacadista eram de -5,89%. Segundo dados da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), no entanto, até outubro de 2020 o setor acumulou uma alta de 4,43%.

Segundo os especialistas da ABAD, o pequeno e médio varejo, um dos principais clientes do atacado distribuidor, foi o grande responsável por essa alta, e continuará a ver bons números de vendas, sendo preferido em relação aos grandes mercados.

No relatório ABAD/Nielsen 2021, outra vez se confirmou a tendência de os pequenos empreendimentos atacadistas liderarem os resultados se manteve. Os dados apontam que eles representaram 10% do faturamento do setor, contra 7% dos grandes players.

Em suma, conforme o time de especialistas da MáximaTech descreveu, “podemos perceber que, mesmo em meio a instabilidades econômicas e medidas protetivas de saúde pública promovidas em 2020, o segmento atacadista distribuidor se consolida como fundamental para a sociedade, garantindo a distribuição e o abastecimento em todos os estados e regiões do Brasil.

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O avanço da tecnologia: a marca deixada pela pandemia e as tendências para 2022

Se tivermos que escolher uma mudança principal ocorrida nos últimos dois anos, certamente, será a adoção da tecnologia.

As medidas de isolamento durante a pandemia fizeram um movimento que já estava em curso ser acelerado: a transformação digital.

Se, antes, o atacado distribuidor estava sendo impulsionado a apostar em softwares e tecnologias móveis que melhorassem o desempenho interno, agora, isso é uma obrigação para aqueles que querem se manter competitivos no segmento atacadista 2022.

A pandemia trouxe diversos desafios ao atacado distribuidor, e o principal deles foi entender como manter as operações face às medidas de isolamento, e manter o abastecimento dos varejos considerados essenciais, como mercados, padarias e farmácias, ao mesmo tempo.

Para isso, foi necessário que muitos investissem em tecnologias que permitissem às equipes trabalhar de qualquer lugar, e ainda garantissem mais eficiência nas entregas.

O segmento atacadista 2022 deve se preparar para realizar ainda mais investimentos em tecnologias. Enquanto algumas já estão consolidadas no setor e são consideradas obrigatórias para as empresas competitivas, outras representam tendências que ainda veremos dominar o mercado.

Abaixo, listamos as tecnologias que o segmento atacadista 2022 precisa investir desde já, e aquelas que podem esperar certa evolução ao longo do próximo ano:

Roteirizador de entregas

Uma tendência que vem crescendo nos últimos anos é de entregas cada vez mais curtas e eficientes. O consumidor B2B quer cortar custos de armazenamento, ao mesmo tempo que evita a ruptura de gôndola em sua loja.

Para isso, ele espera que o segmento atacadista 2021 ofereça tempos de entrega cada vez menores. E somente a tecnologia pode ajudar o segmento atacadista a atender essa mudança.

A logística não pode ser um “mal necessário”, mas sim um custo que deve ser controlado. Garantir entregas mais rápidas e eficientes, portanto, não está ligado a aumentar a frota ou o número de motoristas — algo que, invariavelmente, aumentaria os custos —, mas sim a otimizar o desempenho da frota existente.

O modo como isso é realizado é através de um roteirizador de entregas. O roteirizador permite otimizar o espaço dentro do caminhão, evitando que a área de carga seja subutilizada, e criar rotas que melhorem o tempo do motorista, aproveitando um mesmo trajeto para realizar várias entregas.

Os resultados são custos economizados com combustível, manutenção da frota (uma vez que rodará menos) e aumento da produtividade do motorista.

A partir de 2022 será obrigatório o uso do novo DT-e (Documento de Eletrônico de Transporte). Você sabe o que muda no transporte de cargas com isso e quais serão os impactos na sua empresa? Entenda neste vídeo:

Mobilidade

Outro grande ponto dessa pandemia foi dar aos funcionários a possibilidade de trabalhar de qualquer lugar.

Mesmo para o atacado distribuidor, em que muitas das atividades precisam acontecer no local, deixando o home office para uma pequena parcela do time, essa mudança também trouxe fortes impactos.

Tanto o time de vendas quanto os motoristas precisam ter em mãos ferramentas que os permitam se comunicar com a equipe no escritório ou em casa.

Ferramentas em nuvem, que podem ser facilmente acessadas de dispositivos móveis, portanto, são fundamentais.

A mobilidade também é necessária no segmento atacadista 2022 para que as entregas contactless aconteçam, outra tendência deflagrada na pandemia. As entregas sem contato, como também são chamadas, têm o objetivo de reduzir os riscos tanto para motoristas quanto para clientes que recebem o produto.

Com as ferramentas em mãos, motoristas podem agilizar e registrar as entregas realizadas, enviando dados em tempo real para os responsáveis pela gestão.

E-commerce

O Brasil abriu mais de uma loja virtual por minuto desde o começo da pandemia, em março. O movimento em resposta às medidas de isolamento serviu para mostrar que esse canal de vendas veio para ficar.

Muitos consumidores, inclusive no mercado B2B, experimentaram a compra pelo e-commerce pela primeira vez, e querem continuar tendo a comodidade de fazer seus pedidos com o mínimo de contato pessoal.

A grande tendência, aqui, é casar o e-commerce B2B com uma entrega otimizada. Os prazos de entrega ainda são um dos principais desafios que as compras pela internet enfrentam, mas a tecnologia, mais uma vez, pode ajudar a superar esse obstáculo.

O que nos leva ao nosso próximo item…

Análise de dados

A análise de dados também já era uma tendência consolidada. A oportunidade de utilizar KPIs para gerenciar melhor a logística e o atacado distribuidor como um todo foi abraçada por diversas empresas.

No entanto, veremos essa análise de dados alcançar um novo nível nos próximos anos.

A evolução e popularização da Internet das Coisas (IoT — Internet of Things), que conecta objetos à internet, têm trazido oportunidades em diversos setores.

No segmento atacadista, a capacidade de acompanhar a localização exata de cada item da entrega e, com isso, controlar melhor o estoque é uma dessas oportunidades.

Além disso, uma tecnologia pioneira, desenvolvida pela Amazon, deve começar a aparecer no mercado durante o próximo ano: estamos falando das entregas antecipadas.

A entrega antecipada utiliza um algoritmo para prever o comportamento do consumidor e enviar um produto para um hub regional próximo, antes que ele faça o pedido.

No caso da Amazon, isso seria feito avaliando as páginas visitadas pelo usuário no site e os carrinhos abandonados. O algoritmo seria capaz de calcular a probabilidade de o usuário levar dado produto e fazer o envio antecipado para reduzir ainda mais o tempo de entrega.

No segmento atacadista 2022, a aplicação dessa tecnologia é um pouco mais complexa, visto que depende da integração de dados entre as diversas partes envolvidas no processo de distribuição, e ainda e-commerces B2B já consolidados.

Um ponto de atenção: 

Cada vez mais processos empresariais funcionam por meios eletrônicos, e essa modernização traz consequências na qualidade do produto/serviço, na infraestrutura do negócio e na mão de obra.

As medidas de segurança não acompanharam toda a atualização tecnológica e ainda existem muitas empresas com sistemas vulneráveis.

Dê o play neste vídeo para entender:

Blockchain

E quanto falamos em integração das partes da cadeia, não podemos deixar de falar do blockchain, a tecnologia que revolucionou o mercado financeiro e pode revolucionar outras indústrias nos próximos anos.

O blockchain pode ser definido como uma tecnologia de razão distribuída, que pode registrar transações entre as partes de uma forma segura e permanente. Ao ‘compartilhar’ bancos de dados entre várias partes, o blockchain remove essencialmente a necessidade de intermediários, que antes eram obrigados a atuar ​​para verificar, registrar e coordenar as transações.

Na logística, o compartilhamento de dados em toda a cadeia de suprimentos pode permitir níveis mais altos de transparência, capacitando os consumidores a fazerem melhores escolhas sobre os produtos que compram. Estas são apenas algumas das muitas oportunidades que o blockchain apresenta.

Muitas partes da cadeia de valor logística também estão vinculadas a processos manuais exigidos por autoridades regulatórias.

Por exemplo, as empresas, muitas vezes, devem confiar na entrada manual de dados e na documentação em papel para cumprir os processos fiscais. Tudo isso torna difícil rastrear a procedência das mercadorias e o status das remessas à medida que se movem ao longo da cadeia de abastecimento.

O blockchain pode ajudar a superar esses atritos na logística e obter ganhos substanciais na eficiência do processo. Esta tecnologia também pode permitir a transparência de dados e acesso entre as partes interessadas relevantes da cadeia de abastecimento, criando uma única fonte de dados no segmento atacadista 2022.

Entregas autônomas

Enquanto a ideia de entregas realizadas por drones parece ser distante (ainda que real), alguns mecanismos de entregas autônomas já são realidade em empresas no Brasil, e podem se tornar uma tendência no segmento atacadista 2022.

O uso de um hub de entregas totalmente automatizado, em que o consumidor pode fazer a compra online e ir até o hub retirar o produto é um exemplo disso. A separação de itens no hub é feita por máquinas, e o consumidor só precisa apontar um QR code para uma tela e aguardar seu item.

Somada à tendência multicanal do consumidor, que quer comprar no canal que for mais cômodo para ele em cada momento, as entregas autônomas aparecerão na lista de investimento do segmento atacadista 2022 e dos próximos anos.

Relembre as tendências para o segmento atacadista em 2021 no nosso podcast sobre o assunto — e veja quais delas se concretizaram ou ainda permanecem no horizonte!

Conclusão: preparando o segmento atacadista 2022

Por último, os anos de 2020 e 2021 consolidaram uma tendência vital para as empresas: o planejamento e a gestão de crises.

Muitos foram pegos de surpresa com a pandemia do coronavírus, e o mercado teve que se adaptar rapidamente para reduzir os prejuízos. Ao mesmo tempo, a retomada econômica no Brasil se mostrou bastante desafiadora em 2021, dobrando as apostas para 2022.

Enquanto podemos falar que o atacado distribuidor se saiu bem, é importante que haja um planejamento e uma estratégia de gestão de crise no lugar, para evitar as dores de cabeça que enfrentamos este ano.

O ano que passou trouxe muitos desafios e aprendizados. As empresas que souberem aproveitar esses aprendizados certamente vão se destacar no segmento atacadista 2022.

E você, o que achou dessas tendências para o segmento atacadista 2022? Comente abaixo e compartilhe suas ideias conosco!

 

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