jornada dos motoristas

Em vez de ler, que tal ouvir?

Para que os produtos do atacado sejam comercializados e distribuídos, o papel da equipe de motoristas é fundamental – sendo eles uma das principais engrenagens para o funcionamento das operações da empresa. No entanto, para essa engrenagem rodar corretamente, é preciso alguns cuidados, incluindo fazer o controle da jornada dos motoristas.

Além de ser uma prática obrigatória a partir das determinações da Lei do Motorista, ela ajuda na construção de um ambiente laboral mais saudável, de melhores relações entre empresa e profissionais, no desenvolvimento de um trânsito mais seguro, entre outras coisas.

Mas em uma operação tão descentralizada e dinâmica como a dos atacados distribuidores, como fazer controle de jornada de motorista? É sobre isso que trataremos neste artigo. A seguir, confira mais sobre o que diz a Lei do Motorista quanto ao controle da jornada de trabalho dos condutores e dicas para controlar com mais praticidade e confiabilidade essas informações. Acompanhe.

A importância de controlar a jornada dos motoristas

É importante que a jornada dos motoristas seja monitorada para fins de saúde e segurança, evitando situações propícias a acidentes e oferecendo um ambiente de trabalho saudável para os profissionais. Também para garantir a integridade da carga transportada e dos veículos da frota.

Ainda, o controle de jornada de motorista de caminhão torna-se essencial para evitar sanções legais e processos trabalhistas. No caso de desrespeitos à Lei do Motorista, podem ocorrer multas e penalidades envolvendo tanto a empresa quanto o condutor.

Além disso, estabelecer e aplicar medidas claras de controle da jornada ajuda a construir transparência nas relações de trabalho, o que é essencial para manter os profissionais motivados e produtivos.

Empresas cumpridoras dos termos da lei e que demonstram preocupação com a saúde e o bem-estar dos motoristas desenvolvem também um diferencial de atração e retenção para os melhores profissionais.

Jornada dos motoristas e a nova Lei do Motorista

Motoristas cansados ​​têm tempos de reação mais lentos e sofrem com a redução da atenção, consciência e capacidade de controlar seus veículos. De fato, há pesquisas que sugerem que dirigir cansado pode ser tão perigoso quanto dirigir sob o efeito do álcool. Outro dado importante trazido por um levantamento internacional é que, em todo o mundo, a fadiga contribui para entre 10 e 20% dos acidentes de trânsito.

Esse é apenas um dos lados de um panorama complexo que incentivou, em todo o mundo, iniciativas mais consistentes para o controle da jornada dos motoristas profissionais. No Brasil, a nova Lei do Motorista, também conhecida como Lei do Caminhoneiro, é um dos reflexos disso. Embora seja alvo de algumas controvérsias, ela também traz benefícios importantes para a cadeia de logística do transporte, incluindo empresas e motoristas profissionais.

Embora chamemos normalmente de nova lei, ela já está vigente desde 2015, antecedida pela Lei 12.619/12. A Lei do Motorista (Lei nº 13.103), de 2 de março de 2015, formata uma série de regras para a execução da atividade profissional dos motoristas.

Ela apresentou também alterações de dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), além da Lei nº 12.619/12, abrangendo condutores que fazem tanto o transporte rodoviário de passageiros quanto o transporte rodoviário de cargas – como é o caso dos profissionais contratados pelos atacados distribuidores.

Essa Lei também deixa clara a obrigatoriedade do controle da jornada efetivamente praticada pelos condutores – seja por meio de planilha de controle de jornada de trabalho do motorista, aplicativo de controle de jornada de motorista ou outros recursos manuais ou eletrônicos.

Ao longo de seus mais de 20 artigos, a Lei do Motorista traz uma série de prescrições. Entre as que dizem respeito mais diretamente ao controle da jornada dos motoristas, podemos destacar:

  • O registro da jornada de trabalho precisa ter anotação fidedigna;
  • A jornada dos motoristas não apresenta horário fixo de início, fim e de intervalos – a não ser que isso seja definido no contrato de trabalho;
  • A jornada dos motoristas pode ser estendida por até duas horas extras ou por até quatro horas por dia conforme a convenção e/ou acordo coletivo;
  • Os intervalos de descanso são de 30 minutos a cada seis horas de trabalho (no caso dos motoristas de carga);
  • O tempo de espera (no qual o motorista aguarda para a carga/descarga e para a fiscalização de mercadoria) não faz parte da jornada laboral, mas é indenizado em 30% do salário-hora normal;
  • O tempo de repouso do profissional deverá ser de 11 horas entre jornadas; período que pode ser de oito horas contínuas, se as três horas restantes forem usufruídas nas 16 horas seguintes;
  • Na jornada dos motoristas, os profissionais não podem dirigir por mais de 5,2 horas ininterruptas;
  • No horário de descanso, o motorista não poderá movimentar o caminhão, porém, em horário de espera, para pequenas e pontuais movimentações, isso é possível;
  • O período de deslocamento do motorista para pegar o caminhão na empresa não é considerado como jornada de trabalho.

→ Para mais detalhes sobre as normas e mudanças trazidas por essa lei, confira o artigo: Como a Lei do Motorista impacta em sua distribuidora?

Por que é tão desafiador controlar a jornada dos motoristas?

Controlar a jornada de funcionários que trabalham em período integral alocados na matriz da empresa já é algo que apresenta seus desafios. E esses se tornam ainda maiores quando se faz o controle de jornada dos motoristas, profissionais que estão constantemente em trânsito e distantes da empresa.

E, ainda mais, quando o controle da jornada dos motoristas é feito de forma manual, dependendo de o próprio motorista fazer as anotações em uma prancheta, assinalando horário de início e fim de jornada.

Como trata-se de um trabalho realizado externamente, esse tipo de controle não é confiável e pode trazer diversos problemas. Imagine que um motorista, por exemplo, pensando em elevar sua produtividade, anote que fez o descanso, mas estava dirigindo ininterruptamente e cansado. Esse cenário torna acidentes e outros problemas mais propícios. Ainda, há o costume de muitos funcionários, por comodidade, acabarem fazendo anotações padronizadas (de horários fechados, por exemplo), o que torna impreciso o registro e o controle de sua jornada de trabalho.

Como vimos, com a nova Lei do Motorista profissional, mais dados precisarão ser acompanhados. E fazer registros e acompanhamentos de forma totalmente manual é algo bastante impreciso, demorado e que abre margens para erros e inconsistências.

Ouça o MáximaCast #23 e confira como foi esse bate papo sobre a nova lei do motorista e que contou com a participação do Dr. Alexandre Meirelles, Advogado trabalhista.

4 dicas para ajudar no controle da jornada de seus motoristas

Como vimos até aqui, embora seja de grande importância para todas as partes encontrar formas de como fazer controle de jornada de motorista, isso pode ser bastante desafiador, tendo em vista a natureza desse tipo de trabalho realizado de forma descentralizada e distante da gestão do atacado.

No entanto, a boa notícia é que, além das possibilidades de planilha de controle de jornada de trabalho de motorista manual, há outras ações e recursos que ajudam a manter a praticidade e confiabilidade dessa tarefa.

A seguir, veja algumas ideias que podem ajudar no controle de ponto de motorista externo:

1. Tenha foco em ações educativas

A base para mudanças pessoais e profissionais é a educação. É muito mais fácil e tranquilo para o motorista adotar novos hábitos no trabalho quando ele compreende os motivos e benefícios disso para sua rotina. Além disso, se ele não está inteirado ou não compreende os procedimentos, será mesmo difícil de adotá-los, certo?

Por isso, busque desenvolver ações consistentes de educação, sensibilização e motivação da equipe em relação ao processo de controle de jornada e aos comportamentos em conformidade com a Lei do Motorista.

Além de comunicados, ações de endomarketing, reuniões e treinamentos práticos são importantes para isso. É válido também fornecer aos motoristas um manual que estabeleça de modo claro e objetivo quais são as políticas da empresa envolvendo o trabalho de seus condutores.

Ainda, é importante incluir iniciativas abordando questões como saúde do sono, gerenciamento de fadiga e outras que ajudem o profissional a se manter descansado e disposto. Em eventos internos, como os promovidos pela CIPA, podem ser enfatizados esses aspectos.

2. Avalie o uso do tacógrafo – mas como apoio

O tacógrafo já foi alvo de muita polêmica. Quando o assunto é como fazer controle de jornada de motorista, é importante destacar que, conforme o entendimento da Lei e do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o tacógrafo não pode ser utilizado como método exclusivo para controle da jornada de trabalho dos profissionais que exercem atividades externas.

Assim, ele pode ser associado a outros métodos mais confiáveis, sendo utilizado como uma ferramenta auxiliar, que oferece uma alternativa de checagem se as marcações de horários de trabalho e de descanso foram feitas corretamente.

3. Estude o uso de ferramentas de rastreamento para complementar o controle

Outro recurso que pode contribuir para um melhor controle de jornada dos motoristas são as ferramentas de rastreamento veicular.

Além de ajudarem a garantir que outras leis estão sendo cumpridas, de elevar o controle da carga e de fornecerem informações para uma gestão baseada em dados (data-based), como elas registram e tornam disponível o acesso à localização exata e em tempo real dos veículos (e, com isso, dos motoristas), tempos de parada e outras informações, tudo isso pode ser cruzado para seu atacado ter um controle da jornada dos motoristas ainda mais completo e confiável.

→ Saiba mais sobre como adotar uma gestão orientada a dados em nosso artigo: os principais na distribuição logística de suprimentos

4. Utilize a tecnologia como aliada

Embora, com a nova Lei do Motorista, a papeleta, fichas, diários de bordo e planilha de controle de jornada de trabalho do motorista impressa ainda permaneçam como alternativa válida, como vimos, não é uma opção confiável. Em um processo judicial, por exemplo, poderá dificultar a defesa da empresa se não for considerada como um método confiável de controle de jornada dos motoristas. Afinal, esses são instrumentos facilmente adulteráveis e imprecisos, o que não é desejável nem pelos profissionais nem pela empresa.

Além disso, o controle manual acaba sendo apenas uma burocracia a ser gerenciada e executada. Diferentemente do que ocorre com soluções tecnológicas que, além de eliminarem boa parte da burocracia e de tarefas morosas, ainda centraliza e consolida os dados de forma a gerar inteligência para a empresa. E isso agrega um grande valor para tornar sua operação mais eficiente de modo global.

→ Descubra mais sobre outras tecnologias e inovações de transformação digital que impactarão cada vez mais a logística em nosso e-book: Tendências para a Logística – Logística Lean, Logística 4.0 e a transformação digital

Assim, além dos métodos auxiliares que vimos, há outros mais robustos, práticos e completos – como software e aplicativo de controle de jornada de motorista. Há sistemas que permitem um monitoramento de veículos, carga e jornada seguro, confiável e altamente eficaz.

Com o maxMotorista, por exemplo, há uma parametrização em alinhamento à Lei do Motorista, com questões como a marcação precisa e detalhada sobre o tempo dedicado pelo profissional para cada etapa – de espera, descarga, estrada, etc.

Além disso, esse é um instrumento adicional para garantir a segurança de todos e a confiabilidade do controle de jornada – que pode ser feito, inclusive, em tempo real.

Por exemplo, se o motorista marcou que está em horário de almoço, o acesso à tela de entregas fica bloqueado. Isso está em alinhamento com a nova Lei do Motorista, já que não impede marcações de controle de jornada dos motoristas, mas é uma maneira de aumentar a confiabilidade desse processo e garantir a precisão das marcações.

Ainda, é possível a emissão de alertas para a central com a proximidade de conclusão do período máximo de direção ininterrupta do profissional. Esse é outro recurso que ajuda a elevar o controle e a segurança da jornada.

O maxMotorista também proporciona a oportunidade de balanceamento das entregas diárias já considerando as exigências de períodos máximos de trabalho, tornando as demandas laborais alinhadas às regras da Lei dos Motoristas e garantindo uma rotina de trabalho equilibrada para o profissional.

E mais: em conjunto com o maxRoteirizador, há um ganho de inteligência para que se programem apenas as entregas que se encaixam no tempo máximo de jornada dos motoristas, já considerando variações de tempo médio de espera em cada cliente e outras informações.

Assim, esses sistemas podem contribuir – e muito – para uma melhor rotina de trabalho para os motoristas e para a operação do atacado. No entanto, além da escolha desse software de controle de jornada de motorista, também será preciso desenvolver um trabalho de sensibilização da equipe para a completa e correta adoção da tecnologia.

Essa deve ser apresentada e percebida como algo benéfico para os condutores, que ajuda a garantir que eles terão seus direitos assegurados e poderão ter uma rotina de trabalho sadia e equilibrada. Ainda, que tornará suas atividades muito mais práticas – além do que diz respeito ao registro da jornada em si, seus roteiros ficarão mais organizados, as informações de cada entrega ficarão mais acessíveis e claras, entre outros detalhes que ajudarão a facilitar seu trabalho.

Portanto, demonstre todas essas vantagens práticas para ajudar a quebrar a resistência à mudança dos profissionais, que é algo natural em um primeiro momento. Fazer treinamentos, demonstrações práticas e apresentar total abertura para diálogos e esclarecimento de dúvidas também são iniciativas importantes.

E em seu atacado, como a Lei do Motorista está sendo trabalhada? Ficou interessado em tecnologias para ajudar no controle da jornada dos motoristas? Deixe sua mensagem nos comentários.